Áreas protegidas da Itaipu devem ser a segunda reserva da biosfera transfronteriça da América Latina

A Itaipu Binacional também foi reconhecida como Unidade de Gestão Descentralizada da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica.

Os 100 mil hectares de áreas protegidas da Itaipu Binacional devem se transformar, no futuro, em uma grande reserva transnacional da biosfera. Isso será possível graças ao reconhecimento das áreas protegidas da margem brasileira como zona-núcleo da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA), título já concedido às áreas da margem paraguaia, em 2017. A chancela é dada pelo Programa “O Homem e a Biosfera” (MaB, na sigla em inglês) da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

O anúncio foi feito na abertura do Seminário Internacional Corredores Ecológicos e Conectividade de Paisagem, na noite dessa quinta-feira (23), no Refúgio Biológico Bela Vista (RBV). A chancela oficial à margem brasileira será feita no final do ano, na reunião da Unesco, em Paris (França). Atualmente, existem 12 reservas transnacionais no mundo. Na América Latina, Peru e Equador já dividem uma reserva da biosfera transnacional.

“A existência de reservas da Mata Atlântica no lado paraguaio e no lado brasileiro faz que o bloco tenha uma atuação transfronteiriça”, explica o presidente do Conselho Nacional da RBMA, Clayton Ferreira Lino, um dos responsáveis por dar a chancela. “A área ainda não é reconhecida como reserva transnacional, mas isso pode acontecer no futuro”.

“É um reconhecimento muito importante para a empresa, mas também um reconhecimento grande para a Unesco. Itaipu é a única usina hidrelétrica que passa a ter este título, o que faz dela um exemplo para outras empresas do ramo das energias sustentáveis”, colaborou a diretora da Unesco-Montevidéu, Lidia Brito.

Para o superintendente de Gestão Ambiental da Itaipu, Ariel Scheffer da Silva, a classificação alinha as áreas protegidas da Itaipu nas duas margens a uma metodologia de sustentabilidade global. “Isso é importante não só para Itaipu, mas para todos os nossos parceiros que atuam na gestão territorial da região”, afirma. “Mostra que nossa estratégia de gestão por bacia hidrográfica é acertada”. A binacional atua nos 54 municípios na área de influência do reservatório.

O conceito de Reserva da Biosfera foi criado em 1972 pela Unesco para promover a pesquisa, a conservação do patrimônio natural e cultural e incentivar o desenvolvimento sustentável das regiões. Atualmente, o título é concedido a 669 áreas em 120 países. O Brasil tem sete tipos de reservas: Pantanal, Mata Atlântica, Cinturão Verde de São Paulo, Cerrado, Caatinga, Amazônia Central e Serra do Espinhaço.

Uma reserva da biosfera é subdivida em três áreas, sendo a zona-núcleo a com o mais alto estágio de proteção. As outras duas zonas são a de amortecimento e a de transição. As reservas ambientais de Itaipu eram enquadradas nestas outras áreas, mas, com o novo zoneamento, a empresa recebeu o título de zona-núcleo. Nos títulos concedidos pela Unesco, uma zona-núcleo se equipara ao Patrimônio Mundial da Humanidade. A título de curiosidade, o Parque Nacional do Iguaçu tem os dois títulos.

Unidade de Gestão Descentralizada

Itaipu também será a primeira Unidade de Gestão Descentralizada (UGD), nova categoria criada pelo Sistema de Gestão da RBMA. “A ideia da UGD é dar capacidade de articulação a quem atua diretamente com a conservação”, explica Clayton Lino. Segundo ele, o objetivo é levar um conceito global, de um programa mundial da Unesco, para gestão local.

“A criação da UGD chama a atenção internacional para a área, mostra a importância do trabalho que é feito aqui”, continua Clayton. “Isso gera a possibilidade de parcerias e acordos. Por exemplo, em outubro vamos participar de um simpósio no Panamá e a Itaipu está convidada pelo fato de ser uma UGD”.

Posto Avançado e selo

O Refúgio Biológico Bela Vista (RBV) também ganhou o título de Posto Avançado da RBMA. Desta forma, o local será a referência na região para reunir informações sobre a reserva da biosfera. Um posto avançado deve desenvolver – com grau de excelência, de forma periódica e há no mínimo três anos, ao menos duas das três funções da RBMA: conservação, conhecimento e desenvolvimento sustentável.

“Temos no Brasil 58 postos avançados na área da Mata Atlântica. É um topo de área que está inspirando outras reservas no mundo”, resume Clayton. O conceito ajuda a fomentar, inclusive, o turismo da região, por ser zonas de referência que reúnem os conceitos da sustentabilidade.

Itaipu recebeu ainda o selo “Empresa Amiga da Mata Atlântica”, honraria dada também a outras cinco empresas em 2018. São empresas que têm implantado reservas ambientais para proteção deste bioma. Com 78 milhões de hectares de área, a Mata Atlântica está presente em 17 estados brasileiros e é o bioma que mantém a maior área de reservas biológicas.

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